Sumário

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Sobre serpentes

Serpentes são répteis escamados, de corpo alongado e sem membros. No Brasil, um dos países com maior biodiversidade de serpentes no mundo, existem mais de 430 espécies e dessas, apenas cerca de 17% podem causar acidentes de interesse médico.

Quem são as serpentes?

As serpentes são répteis da ordem Squamata, o mesmo grupo dos lagartos. Assim como os outros representantes desse grupo, elas possuem corpo recoberto por escamas, e fazem troca periódica de pele, um processo chamado de ecdise. Além disso, as serpentes são animais ectotérmicos: elas não produzem o seu próprio calor corporal e, por isso, dependem do ambiente para se aquecer ou resfriar. Elas podem ser vistas tomando sol ou descansando em pedras quentes, ação conhecida como “termorregulação”.

Serpente marrom tomando sol no chão arenoso com gramíneas.
Philodryas patagoniensis | Foto: Márcio Borges-Martins

O grupo das serpentes é extremamente diverso. Existem mais de 3 mil espécies descritas no mundo, presentes em quase todos os continentes e habitats, desde florestas e campos até áreas urbanas. No Rio Grande do Sul, elas ocorrem tanto na Mata Atlântica quanto no Pampa, inclusive na Região Metropolitana de Porto Alegre.

As serpentes são agrupadas em diferentes famílias de acordo com as suas características evolutivas. A família Viperidae, por exemplo, inclui jararacas e cascavéis, que possuem presas móveis e, na maioria das espécies, a fosseta loreal, um órgão sensorial localizado entre o olho e a narina. Outros exemplos de famílias incluem a família Elapidae, com as cobra-corais, e Colubridae, com as cipós.

Sentidos: como as cobras percebem o ambiente?

As serpentes possuem sentidos altamente especializados, adaptados ao seu modo de vida. Embora não enxerguem nem escutem como os humanos, elas são extremamente eficientes para caçar, se orientar e evitar perigo.

Olfato:

Você já percebeu que as serpentes ficam constantemente colocando a língua para fora? Esse comportamento está relacionado ao olfato. A língua bífida, em formato de “V”, coleta partículas microscópicas presentes no ar. Quando a língua retorna para a boca, ela toca uma estrutura localizada no céu da boca chamada Órgão de Jacobson (ou órgão vomeronasal). Esse órgão analisa as partículas químicas e envia as informações ao cérebro.

Como a língua é dividida em duas pontas, a serpente consegue comparar os estímulos de cada lado e identificar a direção da fonte do cheiro, o que ajuda a localizar presas, encontrar parceiros reprodutivos ou evitar predadores.

As narinas, por sua vez, têm função principalmente respiratória e participam pouco do olfato.

Close-up de uma serpente marrom com língua bifurcada exposta.
Língua bifurcada de Xenodon merremi | Foto: Márcio Borges-Martins

Audição:

As serpentes não possuem ouvido externo, mas isso não significa que sejam totalmente surdas. Elas não escutam sons da mesma forma que os mamíferos, porém são muito sensíveis a vibrações do solo. Quando um rato corre pelo chão ou um predador se aproxima, esse movimento transmite vibrações pelo solo que podem ser sentidas pelos ossos do crânio da serpente.

Visão:

A visão das cobras varia muito conforme a espécie, embora a maioria apresente visão mais limitada e baseada em movimentos. Algumas espécies, como as serpentes arborícolas, tendem a ter visão mais desenvolvida, enquanto serpentes fossoriais ou subterrâneas apresentam visão reduzida.

O formato da pupila das serpentes também varia conforme o hábito de vida. Serpentes com hábitos diurnos costumam ter pupilas redondas, enquanto as noturnas possuem pupilas verticais. 

Outra característica interessante é que as serpentes não piscam. Seus olhos são cobertos por uma escama transparente protetora, que substitui as pálpebras.

Close-up de olho com pupila redonda de serpente clara.
Erythrolamprus semiaureus | Foto: Márcio Borges-Martins
Close-up de olho com pupila vertical de serpente marrom.
Bothrops pubescens | Foto: Márcio Borges-Martins

Sensibilidade ao calor:

Algumas serpentes possuem órgãos especializados na detecção de calor, chamados de órgãos termorreceptores.

Nas jararacas e cascavéis, por exemplo, existe a chamada fosseta loreal, localizada entre o olho e a narina. Já em algumas outras espécies, podem existir fossetas labiais, posicionadas ao longo da boca. Esses órgãos permitem detectar variações de até 0,003°C no ambiente, permitindo localizar presas mesmo no escuro.

Foto: Márcio Borges-Martins

Estratégias de defesa

Quando se sentem ameaçadas, as serpentes utilizam diferentes estratégias de defesa para evitar o confronto. Na maioria das vezes, a primeira reação é tentar passar despercebida ou fugir.

A camuflagem é uma das estratégias mais eficientes. A coloração e os padrões do corpo permitem que muitas espécies se confundam com folhas secas, galhos ou com o próprio solo. Isso faz com que passem despercebidas, tanto por predadores quanto por pessoas. Outra estratégia muito comum é a descarga cloacal. Quando se sentem ameaçadas ou são capturadas, algumas serpentes liberam fezes e secreções com odor desagradável. Esse cheiro pode surpreender e afastar o predador.

Jararaca, serpente marrom com manchas escuras e claras, enrolada sobre o chão com gramíneas.
Camuflagem de Bothrops jararaca | Foto: Márcio Borges-Martins

Algumas serpentes adotam posturas que as fazem parecer maiores. Achatar o corpo e inflar a região do pescoço são comportamentos comuns em espécies como a caninana e a dormideira.

Outra estratégia bastante utilizada é vibrar a cauda contra folhas secas, produzindo um som de alerta. Esse comportamento é muito observado nas jararacas. Já a cascavel aperfeiçoou essa estratégia ao desenvolver o chocalho, que emite um som característico para alertar sobre sua presença.

As corais-verdadeiras possuem coloração chamativa, conhecida como coloração aposemática, que funciona como alerta para predadores sobre a potência de sua peçonha. Além disso, as corais podem realizar movimentos erráticos e levantar a cauda enrolada, fazendo com que ela pareça uma segunda cabeça. Esses movimentos são frequentemente confundidos com tentativas de ataque, mas na realidade servem para assustar e confundir o predador.

Close-up de cobra coral verdadeira, mostrando a cabeça e cauda enrolada.
Cauda enrolada de Micrurus altirostris | Foto: Márcio Borges-Martins

Algumas espécies utilizam o mimetismo, apresentando cores e padrões semelhantes aos de serpentes peçonhentas. Esse é o caso das corais-falsas e das falsas-jararacas, que se beneficiam dessa semelhança para afastar predadores mesmo sem possuírem veneno muito potente.

Cobra coral falsa com cores preto, branco e vermelho, enrolada sobre uma pedra.
Falsa-coral | Foto: Márcio Borges-Martins
Boipeva, serpente marrom com manchas, enrolada sobre uma pedra.
Falsa-jararaca | Foto:

Há ainda serpentes que recorrem à tanatose, comportamento conhecido como “se fingir de morto”. Nesses casos, o animal pode virar o ventre para cima, abrir a boca e permanecer imóvel, diminuindo o interesse do predador.

A mordida é considerada o último recurso de defesa, utilizada quando a serpente não consegue escapar ou quando é manipulada, encurralada ou pisada. A produção de peçonha exige um grande gasto energético, por isso a injeção de veneno não é a primeira escolha do animal.

Dentição das serpentes

Diferente dos mamíferos, os dentes de serpentes não servem para mastigar, mas para segurar e conduzir o alimento, que é engolido inteiro. Em geral, os dentes são finos, curvados para trás e ajudam a impedir que a presa escape. Existem diferentes tipos de dentição entre as serpentes, principalmente quando consideramos a presença ou não de presas especializadas para inocular peçonha.

As serpentes áglifas não possuem presas diferenciadas para injeção de peçonha. Seus dentes são maciços, semelhantes entre si e atuam apenas na apreensão da presa. As espécies não peçonhentas apresentam esse tipo de dentição.

Nas serpentes opistóglifas, há presas localizadas mais ao fundo da boca, geralmente com sulcos por onde a peçonha escorre. Nesse tipo de dentição, a inoculação costuma ser menos eficiente e depende de uma mordida mais prolongada.

As serpentes proteróglifas possuem presas anteriores fixas e geralmente curtas, adaptadas para inocular peçonha com maior eficiência. Esse tipo de dentição ocorre nas corais-verdadeiras.

Já as solenóglifas apresentam presas anteriores longas, ocas e articuladas, que ficam dobradas quando a boca está fechada e se projetam para frente no momento do bote. Esse mecanismo permite a inoculação mais eficiente de peçonha e é característico das jararacas e cascavéis.

As diferentes dentições das serpentes refletem adaptações evolutivas aos diferentes tipos de alimento, ambientes e estratégias de caça e defesa de cada grupo.

Alimentação: o que as cobras comem?

As serpentes são animais exclusivamente carnívoros. Elas se alimentam de uma grande variedade de presas, como insetos, anfíbios, lagartos, aves, ovos e mamíferos, dependendo da espécie, do tamanho e do ambiente em que vivem.

Como as serpentes não mastigam o alimento, a presa é engolida inteira. Para isso, os ossos da cabeça são bastante móveis e conectados por ligamentos elásticos, permitindo grande abertura da boca e o consumo de presas com diâmetro maior que o da própria cabeça.

A captura da presa pode ocorrer de diferentes formas. Algumas serpentes, como jiboias e sucuris, utilizam a constrição. Após o bote, enrolam o corpo ao redor da presa e comprimem, interrompendo a circulação sanguínea e a respiração, levando à morte. Diferente do mito popular, serpentes constritoras não costumam esmagar ou quebrar os ossos da presa. Outras espécies utilizam a peçonha para imobilizar e matar antes da ingestão. Em muitos casos, o veneno começa a atuar nos tecidos da presa ainda antes do consumo, facilitando o processo digestivo. Há também serpentes que capturam e engolem a presa viva, sem recorrer à constrição ou à inoculação de peçonha.

Após a ingestão, a digestão é lenta. O metabolismo das serpentes permite que fiquem dias, semanas ou até meses sem se alimentar, dependendo do tamanho da refeição e das condições ambientais.

Reprodução

As serpentes apresentam fecundação interna, ou seja, o encontro entre espermatozoide e óvulo ocorre dentro do corpo da fêmea. Para isso, os machos possuem um órgão copulador chamado hemipênis, que é utilizado no acasalamento. Em muitas espécies, a reprodução é sazonal, ocorrendo em períodos mais quentes do ano, quando as condições ambientais favorecem o desenvolvimento dos filhotes e aumentam a disponibilidade de alimento.

Quanto ao desenvolvimento dos filhotes, as serpentes podem apresentar diferentes estratégias. Espécies ovíparas depositam ovos no ambiente, geralmente em locais protegidos, como sob troncos ou em cavidades no solo. Já as vivíparas dão à luz filhotes completamente formados. Existem ainda espécies ovovivíparas, nas quais os ovos se desenvolvem dentro do corpo da fêmea e eclodem pouco antes ou no momento do nascimento.

O número de filhotes varia bastante conforme a espécie. Algumas produzem poucos descendentes, enquanto outras podem ter dezenas em uma única ninhada. Ao nascer, os filhotes já são independentes e não recebem cuidado parental na maioria das espécies, precisando caçar e se defender sozinhos desde os primeiros dias de vida.

Como identificar serpentes peçonhentas?

Identificar uma serpente peçonhenta exige cuidado. Nunca manipule o animal para tentar confirmar características, pois isso pode levar a acidentes.

Muitas “regras” populares são difundidas como formas rápidas de identificar serpentes peçonhentas, mas é fundamental buscar informações confiáveis. Características como cabeça triangular, pupila vertical ou escamas pequenas na cabeça costumam ser apontadas como determinantes de espécies perigosas, porém não são critérios seguros. A dormideira, por exemplo, é uma espécie inofensiva e pode triangular a sua cabeça como estratégia de defesa. Já a cobra coral, espécie com peçonha potente, não apresenta a cabeça triangular, e sim arredondada.

A forma mais segura de diferenciar espécies é conhecer as características específicas de cada animal.

No Brasil, as serpentes de maior importância médica pertencem a dois grupos: família Viperidae, que inclui jararacas e cascavéis, e a família Elapidae, que inclui as corais-verdadeiras.

No caso das jararacas e cascavéis, uma característica importante é a presença da fosseta loreal (link aqui pra parte que explica?). Todas as serpentes que possuem fosseta loreal são peçonhentas. A cascavel também pode ser facilmente identificada pela presença de chocalho na ponta da cauda.

Como diferenciar uma coral-verdadeira de uma falsa?

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, a única espécie de coral-verdadeira registrada apresenta conjuntos de três anéis pretos e dois brancos, separados por anéis vermelhos mais largos. Esses anéis circundam todo o corpo, inclusive o ventre. É importante lembrar, no entanto, que podem ocorrer anéis incompletos ou falhados, que não fecham totalmente ao redor do corpo.

As corais-falsas da região não seguem esse mesmo padrão. Em vez de anéis completos, costumam apresentar losangos pretos no dorso e triângulos vermelhos, que podem ou não ter bordas brancas. Além disso, nessas espécies o desenho não envolve o ventre, que geralmente possui coloração diferente do padrão observado no dorso.

É importante destacar que a frase popular “Vermelho com amarelo perto, fique esperto. Vermelho com preto ligado, pode ficar sossegado.” não é válida no Brasil. Essa regra foi criada com base em espécies da América do Norte e não deve ser utilizada para identificação no Brasil.

ATENÇÃO: Na dúvida, qualquer serpente com padrão semelhante ao de coral deve ser tratada como potencialmente perigosa.

Neste guia, as serpentes estão classificadas de acordo com seu grau de risco: alto, médio ou baixo.

Serpentes de alto risco incluem espécies peçonhentas capazes de causar acidentes graves, como jararacas e corais-verdadeiras. Serpentes de médio risco são espécies com dentição opistóglifa, que raramente causam acidentes, mas para as quais existem registros de envenenamentos com sintomas moderados. Serpentes de baixo risco incluem espécies não peçonhentas e também aquelas que possuem veneno de baixa ação.

ATENÇÃO: Apesar de não possuírem veneno de ação potente, as serpentes de baixo risco também podem morder. Não tente capturar ou manipular serpentes, independente do seu grau de risco.

Importância e ameaças das serpentes

As serpentes desempenham um papel fundamental nos ecossistemas. Como todo ser vivo, cada espécie possui uma função específica na natureza, contribuindo para a manutenção do equilíbrio ambiental.

Um dos papéis mais importantes das serpentes é o controle de populações através do consumo de outros animais. Em locais onde há diminuição na quantidade de jararacas e cascavéis, por exemplo, pode ocorrer aumento no número de ratos, o que impacta lavouras, estoques de alimento e pode até aumentar a transmissão de doenças. Ao predarem esses animais, as serpentes ajudam a regular naturalmente essas populações.

Além disso, as serpentes também são consumidas por outros animais, como aves de rapina, mamíferos e até outras serpentes. Ou seja, ocupam tanto o papel de predadoras quanto de presas na cadeia alimentar.

A importância das serpentes também pode ser vista na medicina. A partir do estudo da peçonha da jararaca, foi desenvolvido o captopril, medicamento utilizado no tratamento da hipertensão arterial. Pesquisas com peçonha de serpentes continuam contribuindo para o desenvolvimento de novos fármacos.

Apesar de sua importância ecológica, as serpentes enfrentam diversas ameaças. A perda de habitat, causada pelo desmatamento e pela expansão urbana, reduz áreas naturais essenciais para sua sobrevivência. Os atropelamentos são frequentes, especialmente em regiões com fragmentação de mata. Muitas também são vítimas de morte intencional, motivada pelo medo ou desinformação, além de sofrerem ataques de animais domésticos, como cães e gatos.

Parece cobra, mas não é

Nem todo animal alongado e sem patas é uma serpente. Conheça alguns animais frequentemente chamados de cobras, que na verdade fazem parte de outros grupos:

Anfisbenas

As anfisbenas, popularmente chamadas de “cobra-de-duas-cabeças”, também são répteis alongados e sem membros. Mas, apesar do nome, elas não são serpentes. Suas escamas são pequenas e quadriculadas, e sua cauda é curta, arredondada e de mesma largura do corpo. Essa característica dá a impressão da presença de duas cabeças. São animais totalmente inofensivos que vivem principalmente sob o solo e se alimentam de pequenos invertebrados.

Anfisbena, réptil alongado e rosado, enrolada sobre uma folha.
Amphisbaena munoai | Foto: Márcio Borges-Martins

Ophiodes

O Ophiodes é um lagarto inofensivo e sem patas, popularmente conhecido como “cobra-de-vidro”. À primeira vista, pode ser facilmente confundido com uma serpente. No entanto, ele apresenta características típicas de lagartos, como a presença de pálpebras e pernas traseiras vestigiais, estruturas ausentes nas serpentes. Assim como outras espécies de lagartos, o Ophiodes possui cauda autotômica, ou seja, pode soltar a cauda como estratégia de defesa. A combinação entre corpo alongado, escamas lisas e brilhantes e a facilidade com que a cauda se rompe deu origem ao nome popular “cobra-de-vidro”.

Lagarto sem patas de cor verde e com linhas longitudinais, enrolado sobre areia.
Ophiodes striatus | Foto: Márcio Borges-Martins

Cecília

As cecílias fazem parte da ordem Gymnophiona e são anfíbios alongados e sem membros. Possuem pele lisa, úmida e sem escamas, e são subterrâneas, vivendo abaixo do solo. Seus olhos são pequenos e pouco visíveis, o que deu origem ao seu nome popular “cobra-cega”.

Siphonops paulensis | Foto:

Desmistificando mitos sobre serpentes:

As serpentes estão entre os animais que mais despertam curiosidade e medo nas pessoas. Por causa disso, muitos mitos e histórias populares se espalharam ao longo do tempo. Conheça alguns mitos sobre serpentes e entenda por que eles não são verdadeiros.

“Onde tem uma cobra, tem duas.”

Isso não é uma regra. Serpentes não vivem em grupos. No entanto, ambientes favoráveis, que dispõe de muito alimento e abrigo, podem conter mais indivíduos na mesma área.

“Cobras comem pessoas”

Serpentes não têm humanos como parte da sua dieta. Existem, no entanto, registros extremamente raros envolvendo a píton-reticulada, a serpente de maior comprimento do mundo, nativa do Sudeste Asiático. No Brasil, não existem registros de consumo de humanos por serpentes, nem mesmo pela sucuri-verde, a maior espécie do país.

“A cobra mediu o seu dono”

Existe uma lenda bastante difundida de que serpentes mantidas como pets, especialmente as de grande porte, se esticam ao lado do tutor para “medir” seu corpo e avaliar se conseguiriam engoli-lo. Isso é um mito. Serpentes não têm comportamento de medir presas antes de se alimentar e humanos não fazem parte da dieta desses animais.

“Cobra bebe leite”

Não, as serpentes não bebem leite. Além do leite não fazer parte da dieta desses animais, as serpentes são répteis e não possuem a enzima necessária para digeri-lo.

“As cobras hipnotizam”

Serpentes não hipnotizam pessoas nem presas. A ausência de pálpebras e o comportamento de caça das serpentes, que muitas vezes envolve permanecer imóvel, pode dar essa falsa impressão. No entanto, isso se trata apenas de um comportamento natural.

“A quantidade de anéis de uma cascavel equivale à idade dela”

Não. A cada troca de pele, a cascavel adiciona um novo segmento ao chocalho, mas essas trocas não acontecem apenas uma vez por ano, portanto o número de anéis não corresponde à idade do animal. Além disso, o chocalho é uma estrutura frágil que pode quebrar e perder segmentos ao longo da vida.

“Cobras perseguem para se vingar”

Serpentes não são capazes de guardar rancor nem reconhecer indivíduos para “se vingar”. Relatos de perseguição geralmente são interpretações equivocadas de serpentes tentando fugir ou reagindo defensivamente a uma ameaça.

Outras perguntas frequentes

Na prática, não há diferença biológica. “Serpente” é o termo mais usado na ciência para se referir a esses animais, enquanto “cobra” é um nome popular. No Brasil, os dois termos são usados como sinônimos no dia a dia.

A píton-reticulada (Malayopython reticulatus), do Sudeste Asiático, é considerada a serpente mais longa do mundo, com o maior indivíduo registrado medindo mais de 7 metros. Já a sucuri-verde (Eunectes murinus), encontrada na América do Sul, é considerada a mais pesada e robusta.

Sim, normalmente as serpentes peçonhentas possuem um componente no sangue que neutraliza o efeito do seu próprio veneno. Isso ajuda a evitar intoxicação durante a alimentação ou em disputas com indivíduos da mesma espécie.

Sim, muitas serpentes são boas escaladoras, podendo passar a vida em galhos de árvores e arbustos. Algumas espécies, como a caninana, também podem escalar estruturas próximas às casas em busca de roedores e aves que vivem em telhados ou forros. No entanto, as serpentes não conseguem subir superfícies lisas e sem apoio, como paredes lisas.

Referências

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GIRÃO, M. V. D. Serpentes de interesse em saúde no Brasil: nomenclatura, anatomia, composição e manifestações clínicas de seus venenos. Ciência Animal: Biodiversidade, Comportamento, Conservação e Ecologia em Pesquisa, p. 17–34, 2026.

‌ABEGG, A. D.; ENTIAUSPE NETO, O. M. Serpentes do Rio Grande do Sul. 1. ed. Tapera/RS: LEW, 2012. p. 152

Quando o nome engana: conheça as cobras que não são cobras. Disponível em: <https://butantan.gov.br/bubutantan/quando-o-nome-engana-conheca-as-cobras-que-nao-sao-cobras>. Acesso em: 21 abr. 2026.

Língua lotada de informações, animal idolatrado e até dançarino: conheça curiosidades sobre as serpentes. Disponível em: <https://butantan.gov.br/bubutantan/lingua-lotada-de-informacoes-animal-idolatrado-e-ate-dancarino-conheca-curiosidades-sobre-as-serpentes->. Acesso em: 21 abr. 2026.

HERPETO CAPIXABA. Segredos escamosos: os sentidos surpreendentes das serpentes. Disponível em: <https://www.herpetocapixaba.com.br/post/segredos-escamosos-os-sentidos-surpreendentes-das-serpentes>. Acesso em: 21 abr. 2026.

Por que é importante estudar os venenos dos animais? Disponível em: <https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/por-que-e-importante-estudar-os-venenos-dos-animais>. Acesso em: 21 abr. 2026.

‌RIVAS, J. A. PREDATORY ATTACKS OF GREEN ANACONDAS (EUNECTES MURINUS) ON ADULT HUMAN BEINGS. Herpetological Natural History, v. 6, n. 2, p. 157–159, 1998.

‌HERPETO CAPIXABA. SERIA A PUPILA A JANELA QUE MOSTRA A PRESENÇA DE PEÇONHA? Disponível em: <https://www.herpetocapixaba.com.br/post/seria-a-pupila-a-janela-que-mostra-a-presen%C3%A7a-de-pe%C3%A7onha>. Acesso em: 21 abr. 2026.

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