Sumário

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Acidentes ofídicos

ATENÇÃO: Em caso de acidentes, ligue para o Centro de Informação Toxicológica para orientações. CIT/RS: 0800 721 3000

Serpentes não atacam pessoas. Elas se defendem através de mordidas ou botes apenas quando se sentem ameaçadas, como ao serem pisadas, manuseadas ou encurraladas. Nessas situações, a mordida pode resultar em um acidente ofídico.

O que são acidentes ofídicos?

Acidente ofídico é o nome dado aos casos de mordida causados por serpentes. No entanto, nem toda mordida provoca envenenamento. Existem serpentes peçonhentas, que possuem veneno e dentes capazes de inocular a peçonha, e serpentes não peçonhentas, que não possuem.

Além disso, mesmo serpentes peçonhentas podem causar a chamada picada seca, quando ocorre a mordida sem liberação de veneno.

ATENÇÃO: Todos os casos de picada devem receber atendimento médico, mesmo que a serpente pareça não ser peçonhenta ou que não haja sintomas imediatos. Apenas um profissional de saúde pode avaliar corretamente a situação e indicar o tratamento adequado.

O que fazer em caso de picada de cobra:

Em casos de acidentes ofídicos, é fundamental buscar informações em fontes oficiais e não realizar tratamentos caseiros. O único tratamento eficaz é o uso do soro antiofídico, aplicado exclusivamente em ambiente hospitalar.

O que fazer imediatamente:

  • Lave o local da picada apenas com água e sabão.
  • Mantenha a calma e evite correr ou se movimentar excessivamente.
  • Se possível, mantenha o membro afetado elevado.
  • Procure o hospital de referência mais próximo o quanto antes.
  • Se for seguro, tire uma foto da serpente para auxiliar na identificação pela equipe de saúde.
  • Ligue para o Centro de Informação Toxicológica (CIT). CIT – Rio Grande do Sul: 0800 721 3000

o que não fazer:

  • Não faça torniquete: isso não impede a ação do veneno e pode causar danos graves ao membro, aumentando o risco de amputação.
  • Não aplique substâncias no local da picada: borra de café, ervas, gasolina, fumo ou qualquer outro “remédio caseiro” não funcionam e podem causar infecções.
  • Não corte a ferida nem tente sugar o veneno: essas práticas são ineficazes e aumentam o risco de complicações.
  • Não consuma bebidas alcoólicas: o álcool não neutraliza o veneno e pode piorar o quadro clínico.
  • Não tente capturar ou matar a serpente: isso é desnecessário e pode provocar novos acidentes. Se possível, apenas tire uma foto.

Onde procurar atendimento na Região Metropolitana de Porto Alegre?

Se você foi picado por uma serpente, procure imediatamente o hospital de referência mais próximo. Nem todas as unidades de saúde possuem soro antiofídico, por isso é ideal consultar a lista oficial, elaborada pelo Centro de Informação Toxicológica do RS, de hospitais que oferecem esse tratamento na região:

Clique aqui para acessar a lista de hospitais que oferecem soro antiofídico na região

Caso você seja atendido em um hospital que não disponha de soro, a própria equipe médica fará o encaminhamento para uma unidade de referência.

ATENÇÃO: Em caso de qualquer dúvida, entre em contato com o Centro de Informação Toxicológica (CIT). Telefone (RS): 0800 721 3000

E quanto aos animais domésticos?

Cães e gatos também podem sofrer acidentes ofídicos, especialmente aqueles que costumam explorar áreas com vegetação, trilhas ou quintais próximos a matas. Muitos casos ocorrem durante tentativas de caça, por isso é importante não incentivar esse comportamento nos pets.

O tratamento em animais é semelhante ao de humanos e envolve o uso de soro antiofídico. Em geral, as principais clínicas e hospitais veterinários de referência costumam possuir soro para tratamento, mas, se possível, entre em contato antes e confirme a disponibilidade.

Em caso de suspeita de picada de cobra, não espere o aparecimento de sintomas. Leve o animal imediatamente ao hospital veterinário de referência mais próximo.

Importante: não administre medicamentos caseiros, não faça torniquete e não tente sugar o local da picada. Essas práticas também são ineficazes em animais e podem agravar ainda mais o quadro.

Serpentes de interesse médico e principais sintomas:

No Rio Grande do Sul existem três gêneros de serpentes de interesse médico: Bothrops, Crotalus e Micrurus. Cada um possui um tipo de veneno com composição diferente, o que leva a quadros clínicos distintos.

Por esse motivo, o tratamento é feito com soro antiofídico específico para cada gênero. Caso não seja possível identificar a serpente por foto ou descrição, a equipe de saúde fará a identificação com base nos sintomas apresentados pelo paciente.

Cobra jararaca com corpo marrom e desenhos em triângulos escuros, posicionada sobre chão de terra seca.
Bothrops jararaca | Foto:

Bothrops

Geralmente provoca dor, inchaço, bolhas na região da picada e manchas roxas ou avermelhadas pelo corpo, além de sangramento local e sangramentos pela gengiva e urina. Em casos mais raros, podem ocorrer hemorragias internas, necrose no local da picada e insuficiência renal.

Veja mais sobre essa espécie aqui.

Cobra cascavel marrom e amarelada com padrão geométrico no corpo e chocalho erguido, sobre rocha em área aberta.
Crotalus durissus | Foto: Márcio Borges-Martins

Crotalus

Geralmente não provoca dor no local da picada, mas pode haver sensação de formigamento. Os sintomas mais comuns incluem dificuldade para manter os olhos abertos, visão turva e flacidez dos músculos faciais, além de náusea, mal-estar, dor de cabeça e sonolência. Em casos mais graves, podem ocorrer dores musculares pelo corpo, urina escura e diminuição da produção de urina.

Veja mais sobre essa espécie aqui.

Serpente coral-verdadeira com anéis pretos, brancos e vermelhos enrolada sobre uma pedra.
Micrurus altirostris | Foto: Márcio Borges-Martins

Micrurus

No local da picada pode ocorrer dor e sensação de formigamento, mas geralmente não há sangramento. Os principais sintomas incluem dificuldade para manter os olhos abertos, visão turva ou dupla e fraqueza muscular. Também pode haver paralisia dos músculos faciais, dificuldade para se manter em pé e, em casos mais graves, dificuldade para respirar, causada pela paralisia dos músculos responsáveis pela respiração.

Veja mais sobre essa espécie aqui.

Como prevenir acidentes com cobras?

Cerca de 75% dos acidentes ofídicos ocorrem nos pés e pernas. Por isso, o uso de botas de cano alto ou perneiras de proteção é uma das formas mais eficazes de prevenção, especialmente ao trabalhar em áreas de mata, fazer trilhas, limpar terrenos ou mexer com entulhos.

Ao manusear vegetação baixa, pilhas de lenha, folhas secas ou materiais acumulados, utilize luvas de proteção, preferencialmente de raspa de couro. Também é fundamental prestar atenção ao ambiente ao redor, observando onde você pisa e onde coloca as mãos. Evite colocar as mãos em buracos, ocos de árvores, abaixo de troncos, pedras ou entulhos sem antes verificar, pois serpentes podem estar escondidas nesses locais.

Nunca tente capturar ou matar uma serpente. Muitos acidentes acontecem justamente nessas situações. Ao avistar uma cobra, mantenha distância e permita que ela siga seu caminho ou entre em contato com um órgão responsável pelo resgate de fauna.

Perguntas frequentes

Peçonha é uma substância tóxica injetada no organismo por alguns animais, capaz de causar alterações no metabolismo, como no sangue, nos tecidos ou no sistema nervoso.

As serpentes são animais peçonhentos, pois possuem a capacidade de injetar a peçonha por meio dos dentes. Animais venenosos, por outro lado, não injetam toxinas. Eles oferecem risco principalmente quando são ingeridos, como ocorre com os sapos.

Não necessariamente. A composição da peçonha pode variar entre serpentes adultas e juvenis da mesma espécie, já que a alimentação muda ao longo do desenvolvimento. No entanto, essa diferença não significa necessariamente maior perigo.

Além disso, as serpentes mais jovens geralmente possuem menor quantidade de peçonha, devido ao tamanho corporal reduzido, o que costuma resultar em acidentes de menor gravidade. Ainda assim, toda picada deve ser tratada como emergência e receber atendimento médico.

Não. Não existe soro antiofídico de uso humano para venda e nem medicamentos eficazes que possam ser utilizados em casa para tratar picadas de cobra. O soro antiofídico para humanos só pode ser administrado em ambiente hospitalar, por profissionais de saúde. 

“Remédios naturais” vendidos como eficazes contra picada de cobra não possuem comprovação científica e não substituem o atendimento médico.

Existe soro antiofídico para uso veterinário disponível no mercado, mas mesmo nesses casos o ideal é levar o animal ao veterinário. Esse produto é mais indicado para animais de grande porte, como cavalos e vacas, que apresentam maior dificuldade de transporte até um hospital. Para cães e gatos, a conduta mais segura continua sendo o atendimento veterinário imediato.

O ideal é buscar atendimento médico imediatamente após a picada. Em geral, a aplicação do soro antiofídico nas primeiras 6 horas está associada a casos mais leves. Após esse período, o risco de complicações e a gravidade do acidente aumentam progressivamente.

Referências

CARDOSOJ. L. C. et al. Animais peçonhentos no Brasil : biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. 1. ed. São Paulo/Brasil: Sarvier, 2003. p. 468

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Boletim Epidemiológico: epidemiologia dos acidentes ofídicos no Brasil em 2023. Brasília, DF: Ministério da Saúde, v. 55, n. 15, 8 out. 2024. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2024/boletim-epidemiologico-volume-55-no-15.pdf>. Acesso em: 21 abr. 2026.

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